As cotações do trigo na Bolsa de Chicago recuaram na última semana de outubro, pressionadas pela perspectiva de uma safra argentina volumosa, enquanto geadas tardias levantam dúvidas sobre o potencial de produção do país vizinho. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o primeiro vencimento fechou a quinta-feira (29) a US$ 6,03 por bushel, ante US$ 6,24 uma semana antes.
Na quarta-feira (28), o cereal chegou a US$ 5,99 por bushel, rompendo o patamar de US$ 6 pela primeira vez desde 8 de julho de 2026. A recuperação registrada no pregão seguinte, porém, não impediu que o contrato terminasse a semana abaixo da cotação observada sete dias antes.
Nos Estados Unidos, o plantio do trigo de inverno alcançou 76% da área prevista até 25 de outubro, ante 77% na média histórica. Do total semeado, 53% das lavouras já haviam germinado na mesma data, segundo os dados apresentados pela CEEMA.
A expectativa inicial de uma produção argentina elevada vinha contribuindo para pressionar os preços internacionais do trigo. No entanto, geadas tardias atingiram áreas produtoras e podem reduzir o volume colhido.
Segundo a análise divulgada pela CEEMA, já se calcula uma perda de 15% na safra esperada, pelo menos em algumas regiões. A projeção inicial para a produção argentina neste ano era de 23,4 milhões de toneladas.
A colheita no país vizinho começa em novembro, conforme informações da Bolsa de Comércio de Rosário. O resultado dependerá, entre outros fatores, dos impactos das geadas sobre as lavouras.
Apesar dos danos climáticos relatados em parte das regiões produtoras, a expectativa inicial ainda aponta para uma safra expressiva. Caso o volume projetado se confirme, a Argentina poderá registrar sua segunda maior produção de trigo dos últimos 17 anos.
O comportamento das lavouras argentinas nas próximas semanas será importante para avaliar a dimensão das perdas e seus possíveis reflexos sobre a oferta mundial. Enquanto isso, o mercado acompanha as condições do trigo de inverno nos Estados Unidos e a evolução da safra no país vizinho.